Decifra-me ou delete-me.

Ai gente, give me a break. Não me perguntem se estou bem. Não estou para respostas. Não estou para ninguém. Nem para você. Não me venha com esse papo de amigo. Eu conheço meus amigos. Conto nos dedos. São poucos. Lindos. Loucos. Mas são meus. (Não seus). Eu duvido da boa intenção das pessoas. De certas pessoas. Eu sinto um ponto de interrogação no peito quando uma frase soa falsa. Você me soa falso. Entendeu? Ah, não me perguntem a quem me dirijo. A carapuça serviu? Então sirva-se você. A tecla delete está bem a sua frente. Por favor, faça um favor para o mundo. Delete-me. Eu sou o tipo de pessoa que, quando quero bem, quero muito. Se não, esqueça. Não desejo mal a ninguém, pode apostar. Mas não tire meu sossego. Meu sono. Não tire minhas palavras. Não roube o que é meu. Eu só tenho um coração. Sou bondade, vontade e, às vezes, sou leal se quiser. Mas não me confunda, sou boa. Boazinha, jamais! Ah, não mesmo. Tenho cara de menina, mas minha intuição já foi e voltou enquanto você planejava e se distraía com seus cílios grandes. Quer saber? Só não entendo o motivo de tanto esforço. Eu só queria descobrir o que você pretende. Você quer me entender? Eu não sou de entender. Eu sou de amar. De matar. De morrer. Por que você sente prazer em descobrir minha vida? Você não cabe nela. Desculpe, não mesmo. E tudo o que faço pra você é mentira. Sabia? É. Minhas verdades são, para você, deliciosas mentiras que ensaiei. Gostou? Provou o próprio veneno? Sentiu o sabor de invadir? Então alimente-se de você. O sal de fruta é por conta da casa.

Autora: Fernanda Mello

 

 

 

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